Quando o Santo António se vive à janela

13 de Junho de 2020
Quando o Santo António se vive à janela

Não importa o ano, desde que o calendário marque 12 de junho. A noite em que as Marchas Populares descem a Avenida da Liberdade e Lisboa sobe aos bairros para celebrar o Santo António.

2020 está a ser um ano inédito. Depois de um quadro de confinamento para salvaguardar a saúde de todos, começamos, aos poucos, a construir um “novo normal”.

Em parceria com o TC Teatro Carnide, levámos quatro marchantes no topo de uma carrinha prontos para celebrar o dia em todas as ruas da freguesia. Os cânticos soavam alto o suficiente para que em casa os conseguisse sentir, enquanto o cheiro do manjerico no parapeito da janela entrava com o vento.

Quisemos organizar um dia que fosse uma das primeiras boas memórias para guardar do desconfinamento. Um dia em que os carnidenses responderam como sempre têm feito: com consciência e respeito pela comunidade. Das janelas das suas casas viveram o Santo António, em família, com aqueles de quem mais gostam. No fundo, a verdadeira essência da noite de Santo António.

Infelizmente, não conseguimos chegar a cada rua de Carnide. Ordens da Polícia Municipal, por orientação da Câmara Municipal de Lisboa, obrigaram a nossa carrinha a parar para assegurar que nenhum ajuntamento com mais de 10 pessoas se verificava. E não se verificou.

A nossa “marcha” seguiu a pé para entregar mais de 1000 manjericos que preencheram as casas da freguesia. Bairro a bairro, casa a casa. Em Carnide, podemos orgulhosamente dizer que o único sitio onde reside a alma deste dia fica nas casas de cada um.

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